Então vamos falar de ODS1 na prática!
ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, parte da “Agenda 2030”, pacto da Cúpula das Nações Unidas em 2015 pelos 193 países membros)
ODS1 – erradicação da pobreza.
No post anterior discorri sobre os diversos tipos de pobreza e a possível abordagem, hoje com intuito de elucidar as ideias, escolho um caso de uma residência para estudar com o viés da OD1.
O projeto “Ria Casa GaleRia” nasceu com o propósito de compartilhar espaços, ideias, saberes, experiências e o contato com acervo da artista plástica, colecionadora de brinquedos. O projeto se apresenta em um terreno que faz parte de um loteamento e Associação Rural no interior de São Paulo, onde há diferentes classes sociais no entorno.
Tendo em vista a pobreza como exclusão social, à educação e à informação, percebemos que a região é carente e as características do projeto podem colaborar para reduzir o grau de pobreza das pessoas afetadas por esta intervenção.
Primeiramente o projeto exclui os muros na divisa, consequentemente, convida os transeuntes e moradores a vivenciar as áreas nitidamente públicas da residência. O acesso principal da Residência acontece por uma escadaria arquibancada, acomodada no declive, que dá lugar a contemplação da paisagem e se direciona a um pequeno platô que chamamos de palco, ao pé de uma significativa araucária. Ao lado do palco teremos um museu efêmero, com alusão a um brinquedo “trepa-trepa” que abrigará cubos translúcidos com as obras expostas, ou seja, qualquer pessoa que transitar por ali poderá apreciar as obras expostas de forma variada ao longo do tempo.

Há uma permissão poética neste projeto que é a presença de um forte elemento com características da arquitetura colonial portuguesa. Tal linguagem, carregada de suas memórias de colonização no Brasil, tem um lugar de discussão, apresenta-se em forma de torre, acessada por uma passarela que parte da escadaria-arquibancada e abriga o atelier e as águas que alimentam a casa.

Tendo em vista que a artista tem como ritual a visualização do nascer do sol, esta passarela permite, neste ponto alto da casa, que o novo dia seja apreciado antes do momento de criatividade inserido em uma torre carregada de padrões ancestrais do colonizador, então aqui fica a reflexão da arquitetura: dentro do contexto em que vivemos, construído pela história consolidada nos permitimos esta explosão criativa para transformação do meio e das pessoas. Ao sair do atelier pela mesma passarela é possível apreciar o pro do sol, encerramento do dia transformado.

O embasamento da casa traz a liberdade de fluxo, um fio d’água, e a ocupação de uma malha construída, teoricamente rígida por sua modulação simétrica, mas a intenção era a marca do tempo. Com os espaços constantes entre os pilares, e a velocidade da caminhada, percebemos o tempo e a relação entre vazios e cheios traz também esta relação do tempo com o espaço e o fio d’água traz o movimento natural intensificado pelos momentos de chuva e perfil natural do terreno no entorno.

A residência se apresenta também de forma bastante lúdica e convidativa. Há uma modulação da estrutura de madeira, 16 módulos, onde 2 módulos cobertos oferecem lugar à galeria privada, 04 módulos cobertos pertencem a moradia e os demais módulos são abertos e descobertos permitindo a ocupação dinâmica e aleatória destes espaços, porém os pilares de sustentação dos espaços abertos são obras de arte, toras de arte de um artista específico. A cobertura destes módulos serão em “telhado verde”, podendo ser ocupados por uma horta ou vegetações variadas.
Então aqui está o atendimento a ODS1: inclusão social, oferta de cultura, arte e informação.

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