A arquitetura vem em passos lentos se transformando a ponto de acompanhar as necessidades da sociedade e aos novos paradigmas. A alta tecnologia, a parametrização, industrialização, a arquitetura do meta-verso, a realidade virtual, impressão 3D, entre outras não serão suficientes se a forma não se superar. A forma edificada vai muito além da estética ou modismo. Para erradicar a pobreza, se abordarmos a ODS1, seria uma forma mais equânime e inclusiva, onde exclui a ideia em que os “serviçais” não podem ser vistos enquanto trabalham, onde os quartos de descanso ou dormitórios devem ser minúsculos que mal cabe uma cama, os banheiros, cozinhas, refeitórios, oficinas, guaritas, portarias, salas de segurança em lugares insalubres. A arquitetura do colonialismo ainda está viva em muitos lugares e precisa ser extinguida e não falo só sobre o colonialismo português e sim qualquer forma de colonialismo.
A pobreza, também se refere a exclusão social, exclusão a educação e informação. Como a arquitetura poderia oferecer melhores qualidades de educar e informar?
A transformação se inicia a integração urbana, onde ricos e pobres transitam na mesma calçada e possam receber das fachadas e eventuais barreiras visuais informações que os transformem, os informem e quem sabe, os eduquem, por que não? Com informação e educação podemos reduzir a distância cultural e estimular a redução à distância econômica.
Nós, arquitetos, somos responsáveis por oferecer soluções que reduzam, transformem, inclua, enriqueça não só de belezas, para muitos intangíveis, mas a beleza da contemplação que alimenta e enriquece, a beleza da integração humana. Com arquitetura podemos excluir a normalização da discriminação.
Este ano tivemos a felicidade de desenvolver um projeto de residência e galeria, no qual haverá um pequeno museu efêmero de acesso público, haverá uma escadaria “arena” para atividades e apresentações ao ar livre, haverá “cubos” de vidro como componente das paredes de vedação da galeria privada onde parte da coleção da artista estará exposta para quem passa. A arte alimenta e inspira, a ausência de muros e a arquitetura integra e entrega de forma equânime a quem estiver interessado.
A tecnologia poderá estar a serviço da funcionalidade do objeto (edifício) projetado e desta forma minimizando os trabalhos “servis” e oferecendo novas oportunidades desde que as pessoas que passam a trabalhar neste edifício sejam acolhidas com a oferta de qualificação para novas atribuições. Em resumo, espaços mais eficientes, materiais que sejam mais fáceis de limpar ou até mesmo auto-limpantes, como já existem muitos na indústria, funcionalidade que o próprio usuário ou equipamentos que contribuam para a manutenção, operação e segurança do espaço.
Enfim, estas são pequenas reflexões, o assunto é amplo e denso. Temos muito trabalho pela frente.